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inConfess@vel

Contos eróticos

A escolha Óbvia

Agosto 26, 2021

 

pexels-photo-1548274.jpeg

 

 

Volto para a sala, fico a olhar desanimada, é que estou com fome. sento-me na cadeira e abro o envelope da segunda mesa, ao mesmo tempo que, meto uma bata frita na boca. Umm é mesmo boa.

Dentro do envelope, uma folha branca A4 dobrada, em letras também impressas:

 

Come

recupera as tuas forças

vais precisar delas 

 

o quê? Já esta a debitar ordens? nem pensar. Come....nem teve atenção aos meus gostos, é este um exemplo do que me espera com este homem? Bem na realidade nem sei se é homem, pode ser uma mulher. 

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Concentro a minha atenção e esperança na terceira e ultima mesa. Só pelo cheiro percebo logo que é frutos do mar. Adoro. Esta tem um grande abafador de cerâmica, por debaixo várias tigelas pequenas. Arroz de marisco, açorda também de marisco, sopa de berbigão, camarão preparado de varias maneiras, tigelas que parecem asiáticas, muitas cores e sabores, claro que também aqui está uma lagosta com uns pratinhos a volta. Molhos.

Pego no papel dobrado e escrito á mão leio:

 

Para ti

 

é a mesma letra e o mesmo tipo de papel que está perto da banheira. Apercebo-me que o papel tem um aroma qualquer, chego o papel ao nariz e inspiro. ! . É o mesmo cheiro que senti no salão quando um homem se colocou demasiado perto.

Pensei, é atrevido. Mas sabe agradar.

Passei então uns agradáveis momentos a apreciar e lambuzar os dedos com estes mariscos todos. Esta mesa tinha a particularidade de ter apenas água para beber, ao contrario das outras que trazem vinhos.

Fiquei um bocado incomodada, porquê apenas água?

A escolha parte I

Agosto 25, 2021

bew.jpg

 

 

vi... luz difusa, tinha umas velas acessas. Contei três mesinhas diferentes e havia velas acessas em todas. Três. Então quer dizer que fui escolhida por alguém.

Desviei o olhar e fui tomar banho, para minha surpresa tinha a banheira cheia e um cesto pequeno com sais de banho e óleos, lá dentro um pequeno cartão e ..."para ti"... escrito a mão.  Tenho a cabeça a mil a hora, estou cansada, a única coisa que quero é dormir e esquecer.

Dispo esta quase não roupa e mergulho na agua quente, escolho uns sais ao calhas, só queria tirar de mim o cheiro daquela salão. Fecho os olhos, não consigo relaxar. Esfrego o corpo com força, o óleo brilhante custa a sair. Preciso de me sentir eu, dos meus cheiros, do meu cabelo. A minha realidade esta a fugir, penso que estou a perder o controlo, tenho medo. Fiquei ali deitada a massajar os seios, estou tensa e os pensamentos deslizam para um introspecção.

Estou com medo ou estou ansiosa? Tenho mesmo receio ou o meu medo é outro? medo de gostar? Afinal como te sentes Maria? perguntei-me.

Senti fome e curiosidade, vou ver o que tenho ali. As informações que temos que dar, são bastante detalhadas, então tudo o que está ali deve de ser do meu agrado. De repente já não estou cansada, acabo de lavar o cabelo, embrulho o corpo numa toalha e ainda meio a pingar vou para a sala. Curiosa observo o que me enviaram.

Duas mesas tinham um envelope e a terceira tinha apenas um cartão dobrado ao meio.

Levanto a tampa da primeira, parece sushi, muitas formas e cores diferentes, não percebo muito disto, mas reconheço diferentes formas de preparo e apresentação. Muito chique mas fico de coração triste. Não gosto. Está nas minhas informações pessoais, porque é que me enviam alimentos que não gosto. Será algum recado escondido? No envelope em letras impressas:

Para seu deleite

espero estar consigo em breve

Next

Segunda mesa, um hambúrguer gigante, e diversos acompanhamentos, saladas, batatas fritas, uns legumes que não consigo identificar também fritos. Outra decepção, afinal as informações que dei não serviram para nada, este não teve em consideração os meus gostos, eu só gosto de um tipo de queijo e este hambúrguer tem um queijo que eu não gosto. Levanto-me e vou a janela, massajo o pescoço. Sinto-me sozinha, tão sozinha.

 

A cerimónia, feito.

Agosto 24, 2021

 

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Hora de trocar novamente de lugar, a ultima posição. Ao fundo da sala, de frente para a parede e de costas voltadas a tudo. Sei que estava ladeada por duas colunas e que deveria apoiar os braços, assim numa posição a modos que majestosa só que de costas. Pausa para o revirar de olhos do costume. Sinto as costas tensas e já me doí tudo, uma vontade enorme de me coçar. Nem descontrair o pescoço posso, já não vou aguentar muito mais.

O ar volta a mexer a minha volta, oiço conversas sobre as nádegas e pernas. Os comentários nem sempre são agradáveis, alguns são muito depreciativos. Deixo a mente divagar, estava quase. Concentro-me em decorar vozes e cheiros para depois não fazer asneira a escolher, se eu própria fosse escolhida por alguém, claro. Que arrogância Maria, pensei.

Sobressaltei-me, estava alguém muito perto do meu corpo, como que a provocar , tem o mesmo cheiro do outro do cadeirão, é o mesmo pensei, é atrevido e está a tentar provocar uma reacção. Eu sabia que podia acontecer, tinha sido avisada. O nosso poder de autocontrole era também avaliado, a compostura não se perdia nunca. Éramos gado, mas gado com classe!

Oiço o sinal de que a exposição tinha terminado. Sinto a mão do guia e preparo-me para caminhar. A saída estava longe e as minhas passadas seriam lentas e graciosas. Ou pelos menos assim treinei, tenho as pernas tão dormentes que não sei se de graciosa tenho alguma coisa. 

Palmas. Palmas! As pessoas estão a aplaudir...não sabia que ia acontecer. Senti orgulho e depois vergonha das minhas emoções, é tudo tão surreal.

Fecharam a porta atrás de nós. No salão de entrada estávamos nós os submissos e os guias. Tirámos finalmente as vendas. Silêncio.

Tal como eu, todos os outros estavam de rastos, com conflitos, aliviados, orgulhosos, tudo ao mesmo tempo e no fundo um medo. O medo de não ser escolhida por ninguém. É real. Contra tudo o que acredito e sei, a verdade, é que tenho medo.

Vamos para o quarto, caminhei com calma, com os sapatos e a venda numa mão enquanto que com a outra coçava aquele creme brilhante. Abri a porta do meu quarto e vi...

Estou a ser observada

Agosto 23, 2021

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Senti o ar agitar, estava alguém perto dos meus cabelos. O calor da respiração eriçou-me os pelos. Estou a ser observada, pensei, e de muito perto. A imagem de um velho gordo como um sapo passou pelos meus pensamentos, que posição de estar, a ser olhada, avaliada. Mais valia ter uma etiqueta com o preço! Os meus pensamentos do costume, se a Rute pudesse ler a minha mente. Concentrei-me para não revirar os olhos. Espera, ninguém me vê os olhos! Revirei os olhos várias vezes, porque podia. Senti-me um bocado infantil

A pessoa continuava a caminhar a minha volta, devagar, a tocar no cadeirão. Percebi que estava ao meu lado e para minha surpresa agachou-se. Era um homem, percebi pelo cheiro. Não sei se gostei ou não, do cheiro. 

Estava assustada, senti que era real, que era esta a minha realidade agora. Desamparada, a mercê de alguém. Continuava arrepiada, mas não era só por medo, era por estar excitada. Maria! pensei.

As minhas emoções provavelmente estavam espelhadas na minha face, nos lábios crispados e de certeza nos mamilos erectos. Ouvi um suspiro. Senti o ar quente no peito. Não era um suspiro bom, era de quem estava zangado.

 

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