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inConfess@vel

Contos eróticos

Difícil

Janeiro 12, 2023

2007-08-6.jpg

 

Imagem de Jan Draws

 

São 21h, não me apetece enviar mensagem e muito menos utilizar o vibrador. Li o maço de folhas e fiquei um bocado assustada.

Os fins de semana ora eram intensos com jantares e eventos ora eram de puro recolhimento. Não sei de quais tenho mais medo.

Recebo uma mensagem, fiquei parva a olhar para o ecran. Ainda não tinha gravado o número dele , mas as palavras logo o revelaram.

-Então, não te apetece relaxar?

Estou tramada, agora tenho mesmo que responder, senti que ele estava a forçar o contacto e o sentimento era de que estava encurralada.

-Não, não me apetece. Já estava quase a adormecer.

-Conta-me o que fizeste depois da nossa reunião.

Pausa....fingi que fui a casa de banho. Se ele perguntar, dou esta desculpa. Não dou nada esta desculpa, começava logo bem , a mentir. Demorei uns 10 minutos a responder, pensei e decidi responder com honestidade.

-Passei a tarde a ler os doc e depois de jantar recolhi ao quarto novamente.

Não vou utilizar o vibrador e não me sinto confortável ainda, para grandes conversas.

A resposta foi imediata

-O que posso fazer para te sentires mais confortável?

-Hoje? Que não me envies mais mensagens, falamos na sexta.

E não enviou. Eu feita parva fiquei desapontada. Percebi que podia fazer-me de difícil, mas apenas um bocadinho.

 

A escolha parte I

Agosto 25, 2021

bew.jpg

 

 

vi... luz difusa, tinha umas velas acessas. Contei três mesinhas diferentes e havia velas acessas em todas. Três. Então quer dizer que fui escolhida por alguém.

Desviei o olhar e fui tomar banho, para minha surpresa tinha a banheira cheia e um cesto pequeno com sais de banho e óleos, lá dentro um pequeno cartão e ..."para ti"... escrito a mão.  Tenho a cabeça a mil a hora, estou cansada, a única coisa que quero é dormir e esquecer.

Dispo esta quase não roupa e mergulho na agua quente, escolho uns sais ao calhas, só queria tirar de mim o cheiro daquela salão. Fecho os olhos, não consigo relaxar. Esfrego o corpo com força, o óleo brilhante custa a sair. Preciso de me sentir eu, dos meus cheiros, do meu cabelo. A minha realidade esta a fugir, penso que estou a perder o controlo, tenho medo. Fiquei ali deitada a massajar os seios, estou tensa e os pensamentos deslizam para um introspecção.

Estou com medo ou estou ansiosa? Tenho mesmo receio ou o meu medo é outro? medo de gostar? Afinal como te sentes Maria? perguntei-me.

Senti fome e curiosidade, vou ver o que tenho ali. As informações que temos que dar, são bastante detalhadas, então tudo o que está ali deve de ser do meu agrado. De repente já não estou cansada, acabo de lavar o cabelo, embrulho o corpo numa toalha e ainda meio a pingar vou para a sala. Curiosa observo o que me enviaram.

Duas mesas tinham um envelope e a terceira tinha apenas um cartão dobrado ao meio.

Levanto a tampa da primeira, parece sushi, muitas formas e cores diferentes, não percebo muito disto, mas reconheço diferentes formas de preparo e apresentação. Muito chique mas fico de coração triste. Não gosto. Está nas minhas informações pessoais, porque é que me enviam alimentos que não gosto. Será algum recado escondido? No envelope em letras impressas:

Para seu deleite

espero estar consigo em breve

Next

Segunda mesa, um hambúrguer gigante, e diversos acompanhamentos, saladas, batatas fritas, uns legumes que não consigo identificar também fritos. Outra decepção, afinal as informações que dei não serviram para nada, este não teve em consideração os meus gostos, eu só gosto de um tipo de queijo e este hambúrguer tem um queijo que eu não gosto. Levanto-me e vou a janela, massajo o pescoço. Sinto-me sozinha, tão sozinha.

 

A cerimónia, feito.

Agosto 24, 2021

 

rope.jpg

 

Hora de trocar novamente de lugar, a ultima posição. Ao fundo da sala, de frente para a parede e de costas voltadas a tudo. Sei que estava ladeada por duas colunas e que deveria apoiar os braços, assim numa posição a modos que majestosa só que de costas. Pausa para o revirar de olhos do costume. Sinto as costas tensas e já me doí tudo, uma vontade enorme de me coçar. Nem descontrair o pescoço posso, já não vou aguentar muito mais.

O ar volta a mexer a minha volta, oiço conversas sobre as nádegas e pernas. Os comentários nem sempre são agradáveis, alguns são muito depreciativos. Deixo a mente divagar, estava quase. Concentro-me em decorar vozes e cheiros para depois não fazer asneira a escolher, se eu própria fosse escolhida por alguém, claro. Que arrogância Maria, pensei.

Sobressaltei-me, estava alguém muito perto do meu corpo, como que a provocar , tem o mesmo cheiro do outro do cadeirão, é o mesmo pensei, é atrevido e está a tentar provocar uma reacção. Eu sabia que podia acontecer, tinha sido avisada. O nosso poder de autocontrole era também avaliado, a compostura não se perdia nunca. Éramos gado, mas gado com classe!

Oiço o sinal de que a exposição tinha terminado. Sinto a mão do guia e preparo-me para caminhar. A saída estava longe e as minhas passadas seriam lentas e graciosas. Ou pelos menos assim treinei, tenho as pernas tão dormentes que não sei se de graciosa tenho alguma coisa. 

Palmas. Palmas! As pessoas estão a aplaudir...não sabia que ia acontecer. Senti orgulho e depois vergonha das minhas emoções, é tudo tão surreal.

Fecharam a porta atrás de nós. No salão de entrada estávamos nós os submissos e os guias. Tirámos finalmente as vendas. Silêncio.

Tal como eu, todos os outros estavam de rastos, com conflitos, aliviados, orgulhosos, tudo ao mesmo tempo e no fundo um medo. O medo de não ser escolhida por ninguém. É real. Contra tudo o que acredito e sei, a verdade, é que tenho medo.

Vamos para o quarto, caminhei com calma, com os sapatos e a venda numa mão enquanto que com a outra coçava aquele creme brilhante. Abri a porta do meu quarto e vi...

e fui...

Maio 06, 2021

fui

Acordei, como uma miúda que ia para um passeio de escola. Ansiosa, contente e cheia de energia. A meio do banho matinal caí em mim.
-Estas tão contente porque quê mulher? por ires sofrer?
Fiquei com medo do que aí vinha, de ser maltratada, de não ser escolhida e ao mesmo tempo de ter um pretendente.
Sentia um desconforto no estômago, como um mau presságio. Vontade de fugir e ao mesmo tempo de ficar. Depois de uma semana já devia de estar mais segura do que ia fazer, mas não.
A manha foi passada a rever a cerimónia, tirar dúvidas e fazer a prova final da roupa, de tarde a Rute esclareceu os pormenores finais da cerimónia e do que ia encontrar quando voltasse para o quarto.
Sete horas da noite, estou com o cabeleireiro, a senhora das unhas e o maquilhador está ali ao canto à espera. Unhas vermelhas, é obrigatório. O cabelo preso atrás, nem sei bem como... ao espelho parece que de repente me cresceu uma cabeleira inteira. Está giro, gosto.
O maquilhador vinha com as ordens já definidas, recuso a maquilhagem muito carregada e nem pensar em pôr aquelas pestanas postiças. A Rute lá tentou, mas levou com um,
-Com esses coisas nos olhos, não vou a lado nenhum. Vou estar com venda nos olhos, certo?
Afastasse com o revirar de olhos que começo a conhecer.
 
É agora, estamos em fila na entrada do salão, sinto frio e estou arrepiada. Se não fosse pela mão que me guia já teria caído, tenho as pernas que nem gelatina, o creme que me colocaram no corpo brilha. Incomoda e sinto-me envergonhada.
 
Colocam as vendas, fodasse que falta de ar!
 
As portas abrem, oiço uma música suave e muito baixa. O burburinho de vozes cessa.

Não sei, ou melhor, saber até sei

Maio 04, 2021

saber ate sei

 

Eu disse à Rute que não sabia, mas se calhar até sei. Sei que provavelmente vou aguentar e que até vou gostar da cerimónia. A minha dúvida está se serei boa o suficiente, se serei escolhida e mesmo a ser escolhida, será por um velho ranhoso que depois de despido faz uma triste figura?
 
Abafei os sentimentos negativos e a certeza de que me estava a prostituir.
 
Durante o resto do dia houve mais uma secção de treinos e depois dediquei-me a praticar as poses no espelho. Nem pareço eu, tão produzida, não, não é bem esta palavra, tão…cuidada. Esta é a palavra certa, raros momentos da minha vida estive tão bem cuidada, cabelo, pele, os lábios. O resto também está macio, macio.
 
Novas sensações, só o ato de andar excita, tomar banho, vestir, aplicar creme, tudo me faz sentir coisas novas. 
 
Não consigo evitar pensar que não vou permitir o toque de um qualquer. A psicóloga avisou, não aconselho a apaixonares-te. Neste mundo, isso não bom.
 
Vou dormir, tenho que descansar. Começo a tentar relaxar… e se? 
 
Dispo-me.
É tão estranho não sentir os pelos, consigo explorar cada ruga, cada prega. Os lábios interiores parecem.me muito mais expostos e o clitóris muito maior. Penso no que realmente gosto..se gosto de penetração, se o sexo oral é bom. Com as ideias fixas no que se aproxima, o sexo que já tive parece morno e sem graça nenhuma. 
Quero estar toda excitada, sentir que dou tesão, experimentar o poder da sedução...
- oh! Maria, a quem estás tu a tentar enganar?

Pontos nos i, ou não.

Julho 24, 2020

jan draws 12.jpg

Imagem de Jan Draws

 

O treino prossegue, recebo no final um recado a dizer que é solicitada a minha presença numa reunião na manhã seguinte....

E lá vou eu, estômago apertado, com medo de ser dispensada e ao mesmo tempo com vontade de ficar.

Bato á porta

Oiço um, -entre. Seco, era a voz da Rute.

-Bom dia Maria

Respondo um bom dia baixo e seguro. Os meu olhos indicavam desafio, mantive uma postura direita e rígida. Se era para ser dispensada, iria ser com dignidade.

-Maria....começa a dizer a Rute com um suspiro á mistura. Vou esclarecer pela ultima vez. Os estudantes que participam neste projecto, são para nós e para os mecenas, pessoas que muito estimamos, respeitamos e valorizamos. Nunca vos será dado as "sobras" como sugeriste no ensaio ontem.

Os submissos...têm para nós um valor incalculável, tudo gira á vossa volta. 

Sabemos a tua luta interna e não és a única a pensar assim. Muitos sub também se debatem com as mesmas dúvidas e são muito melhores assim. Pessoas fortes, são esses submissos que dão mais prazer ao dominador.

A Rute prossegue com a retórica.

-Podes por de lado de uma vez por todas esse teu lado defensivo e abraçares este projecto com todas as tuas forças?

Respondi:

Não sei, não sei se a dada altura não vou retirar a venda e sair dali para fora, e mais a frente também não sei se vou obedecer ou mandar algum dominador para o caralho.

-Não sei Rute.

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